quinta-feira, 3 de novembro de 2011

SIMULADO PARA IADES (PROCON - 2011) - GABARITADO

SIMULADO PARA IADES (PROCON)


OBJETO DA MODA

1
Um objeto estranho ameaça incorporar-se à elegância masculina. Seu aparecimento ocorreu na Itália, e sua presença já se faz sentir em outras cidades européias. É a maçaranduba.
A primeira singularidade da maçaranduba consiste em que ela absolutamente não participa da sorte das demais peças do equipamento humano a que se junta. É que a maçaranduba fica perto do vestuário, sem se ligar a ele. É ciosa de sua independência, ao contrário dos outros elementos que colaboram na apresentação do homem em público. Estes seguem conosco na condição de servos dóceis, ao passo que ela mantém liberdade de movimentos. E exige de nossa parte atenções especiais, sob pena de abandonar-nos à primeira distração. Concorda em fazer-nos companhia, mas sem o compromisso de aturar-nos o dia inteiro. Dir-se-ia, mesmo, que nós é que a acompanhamos no seu ir e vir pretensiosa pelas ruas.
A maçaranduba está sempre à mostra, ostensiva e vaidosa. Sua tendência é para assumir a liderança do conjunto e exibir-se em evoluções fantasiosas, que exigem certas habilidades do portador. Assim, quando não tem o que fazer (e de ordinário não tem) descreve círculos e volteios que pretendem ser graciosos em sua gratuidade.
A maçaranduba parece ter mau gênio? Parece, não; tem. Já o demonstrou sempre que algum transeunte lhe despertou antipatia ou lhe recordou episódios menos agradáveis. Ela não é de suportar opiniões contrárias às suas. À falta de melhor argumento, na polêmica, ergue-se inopinadamente, avança como um raio e procura alcançar a parte doutrinária alheia nos pontos mais vulneráveis, desde o lombo até os óculos. Sua agressividade impulsiva costuma levá-la à polícia, quando não se recolhe inerte e indiferente a um canto deixando que seu portador pague a nota dos estragos.
A maçaranduba é basicamente feita de madeira, às vezes se beneficia de espécies vegetais não-compactas, o que lhe permite estocar recursos ofensivos de grande temibilidade. Ao vê-la aproximar-se, tome cuidado, pois sua ira não se satisfaz com simples equimoses.
A impertinência da maçaranduba, para não dizer arrogância, deve-se talvez ao fato de que em outras eras foi símbolo de poder e, sob formas diversas, esteve ligada à realeza e a seu irmão gêmeo, o absolutismo. Em mãos governamentais, era duplamente terrível: pela contundência material e pela espiritual.
Diga-se em favor da maçaranduba, para que o retrato não fique excessivamente carregado, que algumas espécies são inclinadas à generosidade, e se comprazem em ajudar pessoas encanecidas ou faltas de visão. Contudo, trata-se de exceção.


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10


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52


Carlos Drummond de Andrade. Folha da Tarde, 1/2/1973 (com adaptações
               


QUESTÃO 1

Leia as afirmações a seguir:

I             O pronome em “se faz sentir” (ℓ.3) e a oração iniciada por “que” (ℓ.45) desempenham a mesma função sintática.
II          O pronome em “fazer-nos” (ℓ.15) e a oração iniciada por “que” (ℓ.45) desempenham a mesma função sintática: objeto indireto.
III        A grafia das formas verbais “levá-la” (ℓ.35) e “vê-la” (ℓ.41) justifica-se porque, na ênclise de verbos terminados em “vogal a+r” e “vogal e+r”, suprime-se o “r” e acentua-se o “a” e o “e”, o pronome toma a letra “l” e une-se à forma verbal por um hífen.
IV        No trecho “e sua presença já se faz sentir em outras cidades européias”, é facultativo o uso de próclise ou ênclise.
V           No trecho “sem se ligar a ele”, é facultativo o uso de próclise ou ênclise.

A quantidade de itens certos é igual a

A       1.
B       2.
C       3.
D       4.
E       5.


QUESTÃO 2

Leia as afirmações a seguir:

I             O termo “mesmo” ” (ℓ.17) está separado por vírgulas, porque é uma expressão apositiva.
II          A correção gramatical do período estaria mantida caso se substituísse a conjunção “e” (ℓ.3) por mas.
III        A palavra “gêmeo” (ℓ.47) está sendo empregada em sentido conotativo ou figurado.
IV        Em “peças do equipamento humano a que se junta.” (ℓ.7-8), a correção gramatical do texto seria mantida se o trecho “a que” fosse substituído por as quais.
V           Nas linhas 29 e 30, a expressão “de suportar opiniões contrárias às suas.” exerce a função sintática de predicativo do sujeito.

A quantidade de itens certos é igual a

A       1.
B       2.
C       3.
D       4.
E       5.

QUESTÃO 3

Em cada opção abaixo, apresenta-se uma oração e uma proposta de reescritura empregando-se o pronome oblíquo átono. Assinale a opção em que esse emprego é feito incorretamente.

A   “A maçaranduba parece ter mau gênio?” — A maçaranduba parece tê-lo?
B   “Ela não é de suportar opiniões contrárias às suas.” — Ela não é de suportá-las.
C   “A maçaranduba é basicamente feita de madeira, às vezes se beneficia de espécies vegetais não-compactas, o que lhe permite estocar recursos ofensivos de grande temibilidade.” A maçaranduba é basicamente feita de madeira, às vezes se beneficia de espécies vegetais não-compactas, o que lhe permite estocá-los.
D   “Estes seguem conosco na condição de servos dóceis, ao passo que ela mantém liberdade de movimentos.” — Estes seguem conosco na condição de servos dóceis, ao passo que ela mantém-na.
E   “Sua agressividade impulsiva costuma levá-la à polícia, quando não se recolhe inerte e indiferente a um canto deixando que seu portador pague a nota dos estragos.” Sua agressividade impulsiva costuma levá-la à polícia, quando não se recolhe inerte e indiferente a um canto deixando que seu portador lhe pague.

QUESTÃO 4

Leia as afirmações a seguir:

I         A substituição da vírgula (ℓ.47) pela expressão ou seja, entre vírgulas, mantém a correção gramatical e as ideias originais do texto.
II          A expressão “Já o demonstrou sempre que algum transeunte lhe despertou antipatia” (ℓ.27-28) pode, sem prejuízo para a correção gramatical do período, ser substituída por Já o demonstrou sempre que algum transeunte despertou-lhe antipatia.
III        O emprego das vírgulas, nas linhas 44 e 45, deve-se à obrigatoriedade de separação de termos que exercem a mesma função sintática.
IV        A oração “Contudo, trata-se de exceção.” (ℓ.54), embora haja mudança de sentido, permanece sintaticamente correta, se reescrita da seguinte forma: Contudo, tratam-se de exceções.
V           A oração “Contudo, trata-se de exceção.” (ℓ.54) permanece sintaticamente correta se reescrita da seguinte forma: Isso, no entanto, é exceção.

A quantidade de itens certos é igual a

A       1.
B       2.
C       3.
D       4.
E       5.

QUESTÃO 5

Ainda considerando o texto, assinale a alternativa correta.

I             A inserção do fragmento que é imediatamente antes da expressão “o absolutismo” (ℓ. 47-48), apesar de atender a preceito gramatical, não resultaria em estrutura mais adequada estilisticamente que a original, se considerado o contexto do período.
II          O último período do texto simples, ou seja, é uma oração absoluta.
III        O acento grave em ‘‘à mostra’’ (ℓ.19); “à falta de” (ℓ.30) e em ‘‘às vezes’’ (ℓ.39) foi usado, nos três casos, em virtude de caracterizar a formação de locuções com núcleo feminino.
IV        A correção gramatical do período estaria mantida caso se substituísse a expressão “ao passo que” (ℓ.12) por enquanto.
V           Dado o seu sentido explicativo, a conjunção “pois” (ℓ.42) poderia ser substituída pelo conector porquanto, sem prejuízo da coerência do texto.

A quantidade de itens certos é igual a

A       1.
B       2.
C       3.
D       4.
E       5.

QUESTÃO 6

Leia as afirmações a seguir:

I             A correção gramatical do período estaria mantida caso se substituísse a conjunção “e” (ℓ.52) por pois.
II          No trecho “e sua presença já se faz sentir em outras cidades européias”, é obrigatório o uso da próclise.
III        No trecho “algum transeunte lhe despertou antipatia”, é facultativo o uso de próclise ou ênclise.
IV        As palavras “européias” e “contundência” recebem acento gráfico com base na mesma regra gramatical.
V           As palavras paroxítonas “gêmeo” e “independência” são acentuadas porque terminam em ditongo, pois ainda cumprem a regra anterior. Segundo o Novo Acordo Ortográfico, não seriam acentuadas.

A quantidade de itens certos é igual a

A       1.
B       2.
C       3.
D       4.
E       5.

QUESTÃO 7

Analisando as relações de referência e de morfossintaxe e o processo coesivo do texto “OBJETO DA MODA”, assinale a alternativa correta.

I             O pronome “ela” (ℓ.12) refere-se ao substantivo “independência” (ℓ.9).
II          A expressão “servos dóceis” (ℓ.12) refere-se a “outros elementos” (ℓ.10).
III        O sujeito sintático e semântico de “abandonar-nos” (ℓ.14) é a maçaranduba, palavra principal do texto.
IV        Caso a palavra maçaranduba (ℓ.26) seja flexionada no plural, o trecho a que ela pertence pode ser reescrito, sem que haja erro gramatical e mudança de sentido, das seguintes formas: As maçarandubas parece terem mau gênio? ou As maçarandubas parecem ter mau gênio? ou As maçarandubas parece que têm mau gênio? ou Parece que as maçarandubas têm mau gênio?
V           O sujeito a que está subordinada a expressão verbal “tome cuidado” (ℓ.42) é o leitor, a quem o autor se dirige.

A quantidade de itens certos é igual a

A       1.
B       2.
C       3.
D       4.
E       5.

QUESTÃO 8

Leia as afirmações a seguir:

I             Infere-se do texto que “maçaranduba” (ℓ.1) é uma begala.
II          o sujeito da oração “É a maçaranduba.” (ℓ.4) pode ser recuperado na primeira oração do texto.
III        A oração “que pretendem ser graciosos em sua gratuidade” (ℓ.24-25) não se apresenta entre vírgulas por tratar-se de subordinada adjetiva restritiva, sendo, portanto, indispensável à compreensão do enunciado.
IV        O pronome relativo “que” (ℓ.10), de caráter endofórico e anafórico, tem como referente “outros elementos” (ℓ.10).
V           Pelos sentidos do texto, o termo “ciosa” (ℓ.9) está sendo empregado com o sentido de zelosa, cuidadosa.  

A quantidade de itens certos é igual a

A       1.
B       2.
C       3.
D       4.
E       5.
QUESTÃO 9

Ainda considerando o texto, assinale a alternativa correta.

I             O texto, que se caracteriza como dissertativo-argumentativo, destaca-se por seu estilo de linguagem muito formal.
II          Trata-se de texto subjetivo em que o autor coloca suas impressões pessoais a respeito do tema, explicitando sua presença no texto por meio de pronomes pessoais.
III        Em “Dir-se-ia, mesmo, que nós é que a acompanhamos” (ℓ.17-18), a expressão destacada no trecho é expletiva e foi usado como recurso de ênfase, podendo ser retirada sem prejuízo para a estrutura sintática do período.
IV        Em “Contudo, trata-se de exceção.” (ℓ.54), a palavra “se” pode ser suprimida sem prejuízo gramatical e semântico, por ser uma partícula expletiva.
V           O emprego do futuro do pretérito em “Dir-se-ia” (ℓ.17)  indica situações ainda consideradas hipotéticas, sem realidade efetiva.

A quantidade de itens certos é igual a

A       1.
B       2.
C       3.
D       4.
E       5.



QUESTÃO 10

Os trechos a seguir compõem um texto adaptado de Rogério Christofoletti (http://www.observatoriodaimprensa.com.br, acesso em 11/10/2011).

Assinale a opção em que o fragmento foi transcrito de forma gramaticalmente correta.

I             O fato da emissora de TV do Jardim Botânico não ter os direitos de transmissão da competição tem feito com que o evento seja simplesmente tratado como dispensável na pauta do seu noticiário.
II          A menos de uma semana do início dos Jogos Pan-americanos de Guadalajara, o assunto é olimpicamente ignorado pelos veículos das Organizações Globo.
III        Alguém aí pode achar natural que não se coloquem azeitona na empada alheia, já que estamos tratando de competidores em audiência e de rivalidade de mercado.
IV        Mas informação é um bem diferente de azeitonas em conserva ou empadas. Informação é uma mercadoria de alto valor agregado, que não se degrada com a sua difusão ou compartilhamento e que, muitas vezes, auxilia o seu portador a tomar decisões, escolher caminhos, se reorientar no mundo.
V           Isto é, informação é um bem de finalidade pública, embora seje cada vez mais frequente que empresas controladas por grupos privados a produzam e a façam circular. Independente disso, o produto carece de cuidados e atenções distintas.

REDAÇÃO OFICIAL

QUESTÃO 11

A respeito de atas, julgue os itens a seguir.

I         Para ser considerada válida, uma ata referente a reunião de órgão da administração pública deve veicular integralmente os fatos transcorridos na sessão a que se refere, sob pena de descumprimento do princípio da publicidade.
II       A ata, nos órgãos oficiais e nas empresas, segundo norma definida em estatuto, é sempre assinada por todos os participantes da reunião; caso contrário, as decisões registradas não têm valor.
III    Para se gerir bem o tempo, é lícito que, nas atas de reuniões em entidades da administração pública, sejam ignoradas as formalidades legais.
IV     O erro não é permitido em uma ata. Caso se cometa alguma falha no registro dos fatos, deve-se anular a ata, ou até mesmo destacar a folha do livro próprio.
V       As atas devem conter o resumo sucinto da pauta discutida e das deliberações tomadas na reunião a que se refere.

A quantidade de itens certos é igual a

A       1.
B       2.
C       3.
D       4.
E       5.


QUESTÃO 12

Acerca da comunicação oficial efetuada por meio eletrônico, Julgue os itens a seguir.

  1. A correspondência oficial via e-mail, se for restrita ao ambiente interno do órgão ou da organização, admite certas informalidades, como o uso de abreviaturas de conhecimento geral: vc (você), msg (mensagem), pq (porque); tb (também).
  2. Uma comunicação interna de órgão público, se elaborada para transmissão eletrônica, pode se valer de certas permissões no âmbito da informalidade verbal, quais sejam: omissão do nome, do sobrenome e do cargo do emissor; isso porque o destinatário saberá reconhecer o autor do texto pelo endereço eletrônico.
  3. Em função da economia de tempo e de espaço, devem ser evitadas, na correspondência oficial, construções semelhantes a uma sala acarpetada, com ar-condicionado, decorada, com iluminação natural; é melhor optar por estruturas mais sintéticas, que dizem a mesma coisa, como uma bela sala.
  4. O correio eletrônico (“e-mail”), por seu baixo custo e celeridade, transformou-se na principal forma de comunicação para transmissão de documentos.
  5. Por ser suscetível a falsificações, o correio eletrônico (e-mail) não tem valor documental nos órgãos do Poder Executivo, sendo usado apenas nas comunicações de caráter particular entre servidores.
 A quantidade de itens certos é igual a


A       1.
B       2.
C       3.
D       4.
E       5.

 QUESTÃO 13

Acerca da comunicação oficial efetuada por Fax, Julgue os itens a seguir.

I          O fax foi abolido do serviço público devido à perecibilidade da tinta da impressão: ela não se conserva pelo tempo necessário ao arquivamento dos documentos enviados por esse sistema.
II       Utilizado para o envio antecipado de documentos, o fax pode ser arquivado tal como recebido, desde que substituído pelo documento original no prazo de 3 meses.
III     O envio de documentos, quando urgente, pode ser antecipado por fax ou por correio eletrônico, sendo recomendados o preenchimento de formulário apropriado (folha de rosto), no caso do fax, e a certificação digital, no caso do e-mail.
IV     O fax é uma forma de comunicação que está sendo menos usada devido ao desenvolvimento da Internet. É utilizado para a transmissão de mensagens urgentes e para o envio antecipado de documentos, de cujo conhecimento há premência, quando não há condições de envio do documento por meio eletrônico.
V        Quando necessário o original, ele segue posteriormente pela via e na forma de praxe. Se necessário o arquivamento, deve-se fazê-lo com cópia xerox do fax e não com o próprio fax, cujo papel, em certos modelos, se deteriora rapidamente.

A quantidade de itens certos é igual a

A       1.
B       2.
C       3.
D       4.
E       5.

QUESTÃO 14

Com relação à correspondência oficial, julgue os itens a seguir de acordo com o Manual de Redação da Presidência da República.

I         O vocativo a ser empregado em comunicações oficiais dirigidas aos chefes de poder é formado pela expressão Excelentíssimo Senhor seguida da denominação do cargo pertinente, de que é exemplo: Excelentíssimo Senhor Presidente da República.
II       Memorando constitui modalidade de comunicação utilizada entre unidades administrativas de mesmo nível hierárquico, desde que seja estabelecida entre órgãos distintos da administração pública.
III    A característica principal do memorando é a agilidade, devendo esse tipo de expediente tramitar com rapidez e pautar-se pela simplicidade de procedimentos burocráticos.
IV     Mensagem é o instrumento de comunicação oficial utilizado entre os chefes dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.
V       Tratando-se de correspondência entre ministérios ou entre órgãos de mesma hierarquia institucional, recomenda-se a expedição tanto de memorando quanto de ofício.

A quantidade de itens certos é igual a


A       1.
B       2.
C       3.
D       4.
E       5.



GABARITO

1
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4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
B
C
E
C
E
C
D
A
E
B
A
A
C
C


I
II
III
IV
V
1
E
E
C
E
C
2
E
C
C
E
C
3




X
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C
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C
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C
C
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C
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E
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C
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C
10
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E
E
E
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C
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C
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C
C
E


Um comentário:

Gabriel M. Gomes disse...

Lembro desse texto da maçaranduba. Arrasei quando você colocou ela na prova bimestral do 4° bimestre quando eu tava no segundo ano no Notre Dame. Maior nota do segundo ano inteiro. Boas recordações. Hehehe.

Abraço, Gilber.

Sucesso.